Queridos amigos e leitores,
Descobri que meu moderador de comentários deste blog nao estava ativado. Resultado: só AGORA vi vários comentários bacanas deixados há semanas, meses, sei lá. Mil desculpas! Reativei a moderação, menos por medo do que possam escrever, mas mais pra eu ter certeza de que li TODOS eles.
Desculpem!
Tem perguntas sobre outros temas? Pergunta à linguista!
Linguística Para Leigos
Porque os chineses dizem macalão (para macarrão) e os japoneses dizem itariano (para italiano) (ok!)? Como é que traduz 'ever' (ok!)? Porque em hindi há tantos pronomes de tratamento (ok!)? Porque as crianças dizem "eu sabo" e "eu fazo" Porque minha avó japonesa fala com sotaque (ok, respondida!)? POrque os argentinos dizem que não me entendem (ok!)? Se você já se fez alguma dessas perguntas, ou outras relacionadas, está no lugar certo! Pergunte para a linguista, usando o campo para comentários!
domingo, 29 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Negação em português
Meu mestrado foi sobre negação na língua de sinais brasileira. Depois de três anos de pesquisa, cheguei à conclusão de que não eram as palavras em si que exerciam a função de negação nesta língua, mas a expressão facial empregada.
Explico: ao ouvintes, a língua de sinais parece se resumir apenas ao gestos, que seriam a coisa mais próxima do conceito de 'palavra' das línguas faladas. Na maioria das línguas faladas, são palavras que fazem uma sentença ficar negativa, palavras chamadas n-words, como não, nada, ninguém, nunca, e outras palavras da mesma linha. Mas há línguas faladas em que a negação é expressa apenas pela mudança de tom numa vogal, ou o acrescimo de uma letra, fonema ou morfema à forma verbal (em outras palavras, não é uma palavra inteira, mas um pedaço de alguma coisa que você gruda em alguma palavra e - voilà! - frase negativa).
A língua de sinais brasileira se assemelha à essas línguas faladas que se encaixam na categoria da exceção, ou seja, a negação é basicamente marcada por outra coisa que não uma 'palavra', ou no caso da língua de sinais, um gesto manual específico. NA minha pesquisa, inicialmente, mostrei que existia uma expressão facial negativa (na verdade, duas) que sempre acompanhavam a sentença negativa, mas o avanço da pesquisa mostrou que:
a. sem expressão facial negativa, a sentença é esquisita, ou agramatical, ou não-negativa
b. o gesto manual é DISPENSÁVEL na sentença negativa, enquanto a expressão não-manual é INDISPENSÁVEL.
É por causa deste ponto b que eu vim escrever este post. Meu filho não fala língua de sinais, não tem contato com comunidade surda, é monolíngue (em progresso ainda). Mas é impressionante notar que ele faz frases negativas sem usar palavras negativas, apenas mudando a entonação ou fazendo uma caretinha, ou melhor, uma expressão facial, ou balançando a cabeça de um lado pro outro. Interessante notar que, na falta da perfeita manipulacão de palavras mais complexas (como n-words, conjunções, dêiticos, preposições, e essas coisas complicadas), ele arranjou um outro mecanismo para dizer que não gosta, não quer. e esse mecanismo não é um total e completo absurdo inventado por uma mente ingênua, mas provavelmente um mecanismo existe no aparato linguistico que é pouco usado nas línguas faladas, mas muito mais usado nas línguas de sinais (na minha pesquisa, encontrei outros estudos com dados interessantes sobre negação não manual em outras línguas de sinais de outros países).
Em termos de aquisição, ele vai aprender a maneira correta de negar uma sentença, no tempo dele. Assim como as crianças aprendem e param de dizer "eu fazi" e essas coisas, ele vai perceber que não se nega em português usando só entoação ou balançando a cabeça, é precise DIZER algo negativo com palavras. Ele vai aprender. por enquanto, eu curto porque acho bonitinho... :-)
domingo, 3 de julho de 2011
Gagueira infantil
Gagueira no processo de aquisição de linguagem é muito comum, normal, e em geral, passa. Muitas vezes, associado ao nascimento do irmão mais novo, mesmo que tenha acontecido há seis meses. "ah, é porque o irmão nasceu, agora ele tá sentindo"...
Pra mim, gagueira é parte do processo. Pra falar, precisamos de um movimento muito fino e coordenado de ar entrando e saindo, posição da boca, da língua, dos lábios, é muita coisa pra coordenar. Se não fosse só isso, ainda tem que pensar nas palavras, na encadeação delas, no contexto todo. Olha, um trabalhão prum cérebro que nasce tão imaturo!!!
Chega um hora que... o cérebro sabe o que quer dizer, mas o aparelho fonador não coopera e aí a criança gagueja. Caqui faz assim:
Niná mmmmmmm papá mmmmm niná!
que quer dizer "niná papou/vai papar".
Mas passa.
Tem perguntas sobre outros temas? Pergunta à linguista!
Pra mim, gagueira é parte do processo. Pra falar, precisamos de um movimento muito fino e coordenado de ar entrando e saindo, posição da boca, da língua, dos lábios, é muita coisa pra coordenar. Se não fosse só isso, ainda tem que pensar nas palavras, na encadeação delas, no contexto todo. Olha, um trabalhão prum cérebro que nasce tão imaturo!!!
Chega um hora que... o cérebro sabe o que quer dizer, mas o aparelho fonador não coopera e aí a criança gagueja. Caqui faz assim:
Niná mmmmmmm papá mmmmm niná!
que quer dizer "niná papou/vai papar".
Mas passa.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
Posse inalienável
Posse. uma questão de "quem é o dono".
Posse pode ser alienável, e inalienável. Alienável é aquilo que pode ser meu, e depois, pode ser seu. Por exemplo, meu emprego. hoje é meu, amanhã pode não ser mais. Inaienável é aquilo que não pode deixar de ser seu: por exemplo, a sua cabeça.
Algumas línguas marcam bem definidamente essa coisa de posse inalienável. O português não marca muito não, mas o inglês marca. Quer ver?
Quebrei o braço.
I broke my arm.
Em português você até pode dizer "quebrei meu braço", mas não precisa. Em inglês, se voê disser "I broke the arm", só pode ser o braço de outro ser (da boneca, por exemplo). O inglês marca essa posse inalienável um pouco mais que o português, mas não chega a ser 100% não. Por exemplo, se tem cabelo no chão, tanto em português como em inglês o cabelo passa a ser de ninguém, você simplesmente diz "tem cabelo no chão".
As línguas indígenas, que sempre têm lições a nos ensinar, tem uma relação mais forte com a posse inalienável. Primeiramente, porque há muito mais objetos inalienáveis (a depender da cultura). tem os óbvios (partes do corpo, relacões familiares) e objetos de uso pessoal (canoa, rede, instrumentos de trabalho). Por exemplo, a minha rede é minha, não pode ser de outro. Como nossas roupas íntimas, ninguém empresta e, depois de velho, vira lixo, não é doado.
Em segundo lugar, muitas línguas indíegenas não despossuem coisas como cabelo no chão. Em outras palavras, determinados indios vão dizer "tem cabelo de algúem no chão", ao invés de dizer "tem cabelo no chão". POrque cabelo, em si, só existe se tiver dono, entende? Não existe por sí só na natureza. Se caiu no chão, é de alguém. Deu pra entender?
Daí os linguistas vão investigar marcadores de posse na língua. E esbarram nessa coisa da posse inalienável. Por exemplo, quando perguntam "como se diz 'dedo'?". POrque dedo é sempre de alguém, certo? EntÃo, o sujeito sempre vai dizer "meudedo", "seudedo", "dedodomacacao". Leva horas pra descobrir que a palavra "dedo" em si não existe, só existe "posse.dedo".
eu acho isso fantástico!
Pensa na sua escova de dente. Ela é sua, certo? Você não empresta, certo? Ms quando fica velha, o que você faz? Bota junto com os produtos de limpeza pra servir de "escovinha" pra limpar cantinhos, né? Muitos índios JAMAIS fariam isso com objetos tão pessoais como escovas de dentes (não se índio escova dente, mas canoas, cestos e faquinhas são objetos tão pessoais quanto escovas de dentes e calcinhas).
Pense nisso na próxima vez que for dizer "meu problema", "minha hérnia de disco". LARGA essa porcaria de problema, de hérnia de disco, se livra!!!
Posse pode ser alienável, e inalienável. Alienável é aquilo que pode ser meu, e depois, pode ser seu. Por exemplo, meu emprego. hoje é meu, amanhã pode não ser mais. Inaienável é aquilo que não pode deixar de ser seu: por exemplo, a sua cabeça.
Algumas línguas marcam bem definidamente essa coisa de posse inalienável. O português não marca muito não, mas o inglês marca. Quer ver?
Quebrei o braço.
I broke my arm.
Em português você até pode dizer "quebrei meu braço", mas não precisa. Em inglês, se voê disser "I broke the arm", só pode ser o braço de outro ser (da boneca, por exemplo). O inglês marca essa posse inalienável um pouco mais que o português, mas não chega a ser 100% não. Por exemplo, se tem cabelo no chão, tanto em português como em inglês o cabelo passa a ser de ninguém, você simplesmente diz "tem cabelo no chão".
As línguas indígenas, que sempre têm lições a nos ensinar, tem uma relação mais forte com a posse inalienável. Primeiramente, porque há muito mais objetos inalienáveis (a depender da cultura). tem os óbvios (partes do corpo, relacões familiares) e objetos de uso pessoal (canoa, rede, instrumentos de trabalho). Por exemplo, a minha rede é minha, não pode ser de outro. Como nossas roupas íntimas, ninguém empresta e, depois de velho, vira lixo, não é doado.
Em segundo lugar, muitas línguas indíegenas não despossuem coisas como cabelo no chão. Em outras palavras, determinados indios vão dizer "tem cabelo de algúem no chão", ao invés de dizer "tem cabelo no chão". POrque cabelo, em si, só existe se tiver dono, entende? Não existe por sí só na natureza. Se caiu no chão, é de alguém. Deu pra entender?
Daí os linguistas vão investigar marcadores de posse na língua. E esbarram nessa coisa da posse inalienável. Por exemplo, quando perguntam "como se diz 'dedo'?". POrque dedo é sempre de alguém, certo? EntÃo, o sujeito sempre vai dizer "meudedo", "seudedo", "dedodomacacao". Leva horas pra descobrir que a palavra "dedo" em si não existe, só existe "posse.dedo".
eu acho isso fantástico!
Pensa na sua escova de dente. Ela é sua, certo? Você não empresta, certo? Ms quando fica velha, o que você faz? Bota junto com os produtos de limpeza pra servir de "escovinha" pra limpar cantinhos, né? Muitos índios JAMAIS fariam isso com objetos tão pessoais como escovas de dentes (não se índio escova dente, mas canoas, cestos e faquinhas são objetos tão pessoais quanto escovas de dentes e calcinhas).
Pense nisso na próxima vez que for dizer "meu problema", "minha hérnia de disco". LARGA essa porcaria de problema, de hérnia de disco, se livra!!!
sábado, 21 de maio de 2011
Escrita cursiva
Outra pergunta pegadinha, né, Tati? Letra cursiva: existe uma ordem para os traços?
Em kanji (japonês e chinês) há uma ordem dos traços a serem escritos, bem como a direção do traço: se ele deve ser escrito de cima pra baixo, um aluno que escreva de baixo pra cima faz errado, e tem que refazer. Olha, eu só conheço alfabeto das línguas orientais, e dá pra dizer que existe mais flexibilidade quanto à ordem dos traços. Existe sim um padrão de se fazer o a, por exemplo, começando com o c, e depois fechando. Mas conheço gente que faz o a ao contrario: primeiro faz um i e depois fecha com um c ao contrário. Fica diferente, mas dá pra ler, e não tá de todo errado, embora a minha professora de primeira série pegava no meu pé porque eu não fechava o a completamente, ficava um milímetro. Aliás, fica até hoje.
Lembrei também que a minha irmã faz (ou fazia) a orelha do r cursivo do outro lado; na escola a gente aprende que é no canto esquerdo, mas a minha irmã faz/fazia n odireito.
Tem uma questão mais lógica também: primeiro você "desenha" o t e depois corta, até porque ia ser esquisito tacar o corte lá e depois acertar o desenho do t bem no meio do corte, né? O mesmo com o i, não ia ter motivo pingar sem ter desenhado o i. Vai que o pingo fica, digamos assim, fora de prumo?
Mas também já reparei que a letra cursiva é diferente de país pra país. Por exemplo, bato o olho num trecho escrito e digo: alfabetização americana. Engraçado, parece que todo americano tem uma letra parecidona, parece que eles escrevem com letras de forma minúsculas. Pode ser uma coisa cultural, uma crença de que "tem que ficar tudo bem separadinho pra ser entendido". Já no Brasil, se é uma questão de crença, a crença é "tem que ficar tudo juntinho e ligadinho de mão dada" por qualquer motivo besta. Aí, a criança lá na primeira 'serie, escreve m-a-t-e-m-a-t-i-c-a sem tirar o lápis do papel e... esquece de voltar cortando os ts e acentuando... Sem contar que a letra vai ficando esquisita até o fim da palavra, porque a palavra é comprida e fica difícil mover a mão sem desencostar o lápis.
Mas não acho que essa questão de caligrafia nacional seja algo consciente. Não acho que alguém parou um dia na vida pra dizer "no nosso país, o t se corta da direita para esquerda, e tenho dito!". Eu acho que essas coisas acontecem de maneira fluida, fazem parte do inconsciente coletivo (oi?).
Talvez a coisa seja mais rígida em outros alfabetos, pois além dos alfabetos japonês e chinês, temos o sirílico (russo) que tem algumas questoes de ordem sim, o árabe (que para a minha alegria, escreve da direita para a esquerda!), o hebraico (nunca vi tanta letra parecida! a alef - que é a primeira - tem umas 5 sósias no resto do alfabeto, impressionante!), e tem o coreano, que é louco demais.
Louco, porque foi inventado por uma pessoa, tipo, no século passado! O alfabeto é silábico (como o katakaná), e é como se cada item fosse um quadradinho dividido em 4 partes, e cada parte é preenchida com algo específico - diga-se se passagem que são basicamente risquinhos e bolinhas. Bolinhas, não pinguinhos. Mas eu nÃo sei dizr se a bolinha tem de ser feita no sentido horário ou no anti-horário. Taí uma rigidez que eu quero saber.
Isso me lembra que no meu pré ensinavam que o zero começa em cima e termina em cima também (e também o 8). Diziam também que quem começava o número por baixo era bobo (oi). Mas, repara, todo mundo começa por cima: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Rá.
PS: desculpem o post-divagação. É o resfriado.
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Em kanji (japonês e chinês) há uma ordem dos traços a serem escritos, bem como a direção do traço: se ele deve ser escrito de cima pra baixo, um aluno que escreva de baixo pra cima faz errado, e tem que refazer. Olha, eu só conheço alfabeto das línguas orientais, e dá pra dizer que existe mais flexibilidade quanto à ordem dos traços. Existe sim um padrão de se fazer o a, por exemplo, começando com o c, e depois fechando. Mas conheço gente que faz o a ao contrario: primeiro faz um i e depois fecha com um c ao contrário. Fica diferente, mas dá pra ler, e não tá de todo errado, embora a minha professora de primeira série pegava no meu pé porque eu não fechava o a completamente, ficava um milímetro. Aliás, fica até hoje.
Lembrei também que a minha irmã faz (ou fazia) a orelha do r cursivo do outro lado; na escola a gente aprende que é no canto esquerdo, mas a minha irmã faz/fazia n odireito.
Tem uma questão mais lógica também: primeiro você "desenha" o t e depois corta, até porque ia ser esquisito tacar o corte lá e depois acertar o desenho do t bem no meio do corte, né? O mesmo com o i, não ia ter motivo pingar sem ter desenhado o i. Vai que o pingo fica, digamos assim, fora de prumo?
Mas também já reparei que a letra cursiva é diferente de país pra país. Por exemplo, bato o olho num trecho escrito e digo: alfabetização americana. Engraçado, parece que todo americano tem uma letra parecidona, parece que eles escrevem com letras de forma minúsculas. Pode ser uma coisa cultural, uma crença de que "tem que ficar tudo bem separadinho pra ser entendido". Já no Brasil, se é uma questão de crença, a crença é "tem que ficar tudo juntinho e ligadinho de mão dada" por qualquer motivo besta. Aí, a criança lá na primeira 'serie, escreve m-a-t-e-m-a-t-i-c-a sem tirar o lápis do papel e... esquece de voltar cortando os ts e acentuando... Sem contar que a letra vai ficando esquisita até o fim da palavra, porque a palavra é comprida e fica difícil mover a mão sem desencostar o lápis.
Mas não acho que essa questão de caligrafia nacional seja algo consciente. Não acho que alguém parou um dia na vida pra dizer "no nosso país, o t se corta da direita para esquerda, e tenho dito!". Eu acho que essas coisas acontecem de maneira fluida, fazem parte do inconsciente coletivo (oi?).
Talvez a coisa seja mais rígida em outros alfabetos, pois além dos alfabetos japonês e chinês, temos o sirílico (russo) que tem algumas questoes de ordem sim, o árabe (que para a minha alegria, escreve da direita para a esquerda!), o hebraico (nunca vi tanta letra parecida! a alef - que é a primeira - tem umas 5 sósias no resto do alfabeto, impressionante!), e tem o coreano, que é louco demais.
Louco, porque foi inventado por uma pessoa, tipo, no século passado! O alfabeto é silábico (como o katakaná), e é como se cada item fosse um quadradinho dividido em 4 partes, e cada parte é preenchida com algo específico - diga-se se passagem que são basicamente risquinhos e bolinhas. Bolinhas, não pinguinhos. Mas eu nÃo sei dizr se a bolinha tem de ser feita no sentido horário ou no anti-horário. Taí uma rigidez que eu quero saber.
Isso me lembra que no meu pré ensinavam que o zero começa em cima e termina em cima também (e também o 8). Diziam também que quem começava o número por baixo era bobo (oi). Mas, repara, todo mundo começa por cima: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Rá.
PS: desculpem o post-divagação. É o resfriado.
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Estágio de duas palavras
Queridos leitores, o post de hoje tá lá no outro blog. é sobre avanços na aquisição de linguagem. É um post materno-linguistico. Passa aqui.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Os números em línguas indígenas
As línguas indígenas são muito interessantes porque ensinam que tudo pode ser pensado de maneira diferente. Nao sou expert em línguas indígenas, estudei um pouco na graduação e um pouco no mestrado, mas as aulas de línguas indígenas me marcaram.
Por exemplo, os números. Há varios sistemas de bases diferentes. Observe.
Vejamos em português primeiro. Nosso sistema é base dez. Isso significa que, via de regra, temos palavras diferentes para cada um dos numeros de 1 a 10. de onze a vinte, alguns dos números são sobreposições dos números de 1 a 10, por exemplo, 16 (dez + seis) ou 17 (dez + sete). Existe também o sistema de base 20, cuja lógica é a mesma, mas são palavras diferentes do 1 ao 20. E em algumas línguas, as palavras significam uma munheca inteira (5), duas munhecas (10), uma munheca e um pé (15). Olhando assim no geral, é basicamente isso. Seu cérebro de base dez e cultura ocidental entende quando eu falo de sistema de base 20 (porque 20 é multiplo de 10). Mas olha só: sistema de base 1.
Nao vou citar línguas específicas porque senão o post fica imenso. Mas existem línguas de base 1, de base 2, de base 3... No sistema de base 1, quase nada é visto pluralmente. Se uma mulher vai cozinhar ovos para os 4 filhos, ela pensa que vai cozinhar um ovo para cada filho, e nao 4 ovos. Deu nó na cabeça? Vou dar outro exemplo. Se um homem vai construir uma casa e precisa de 8 estacas, ele vai pensar que precisa de uma estaca para a o canto da praia, uma estaca pro canto da mata, uma estaca pro canto da arena... ou seja, vai pensar separadamente em cada estaca. Se voce insistir na pergunta, pra ver se ele responde alguma coisa que signifique oito, ele vai dizer "várias, vou precisar de várias estacas". O nó ainda tá na cabeça? Vou explicar o sistema de base 2 que melhora.
No sistema de base 2, a mãe vai cozinhar 2 pares de ovos, para dois pares de filhos. O homem vai precisar de vários pares de estacas pra construir a casa. Algumas traduções literais dessas línguas são "as patas da ema"(número 2), "as patas de duas emas" (número 4), "com companheiro", "sem companheiro"; por exemplo, é possível encontrar a expressão "as patas de duas emas + sem companheiro" significando 5. Em outras línguas, os termos ímpares são reduplicações de termos pares. Se o número 4 é tapisar, o número 5 é tapisar-pisar.
Isto é só uma pequena amostra do que pode acontecer com línguas que não têm raizes indo-européias, ou seja, que fogem ao círculo línguas-latinas/anglo-saxonicas/eslavas. So maneiras absolutamente diferentes de se ver o mundo, e absolutamente plausíveis, e aceitáveis, não tem nada de esquisito nisso.~
Eu acho fantástico!
Pra quem se interessar, tirei essas informacões de Os diferentes termos numéricos das línguas indígenas do Brasil, por Diana Green, in "Idéias Matemáticas de Povos Culturalmente Distintos" (org. Mariana Kawall Leal Ferreira), 2002.
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Por exemplo, os números. Há varios sistemas de bases diferentes. Observe.
Vejamos em português primeiro. Nosso sistema é base dez. Isso significa que, via de regra, temos palavras diferentes para cada um dos numeros de 1 a 10. de onze a vinte, alguns dos números são sobreposições dos números de 1 a 10, por exemplo, 16 (dez + seis) ou 17 (dez + sete). Existe também o sistema de base 20, cuja lógica é a mesma, mas são palavras diferentes do 1 ao 20. E em algumas línguas, as palavras significam uma munheca inteira (5), duas munhecas (10), uma munheca e um pé (15). Olhando assim no geral, é basicamente isso. Seu cérebro de base dez e cultura ocidental entende quando eu falo de sistema de base 20 (porque 20 é multiplo de 10). Mas olha só: sistema de base 1.
Nao vou citar línguas específicas porque senão o post fica imenso. Mas existem línguas de base 1, de base 2, de base 3... No sistema de base 1, quase nada é visto pluralmente. Se uma mulher vai cozinhar ovos para os 4 filhos, ela pensa que vai cozinhar um ovo para cada filho, e nao 4 ovos. Deu nó na cabeça? Vou dar outro exemplo. Se um homem vai construir uma casa e precisa de 8 estacas, ele vai pensar que precisa de uma estaca para a o canto da praia, uma estaca pro canto da mata, uma estaca pro canto da arena... ou seja, vai pensar separadamente em cada estaca. Se voce insistir na pergunta, pra ver se ele responde alguma coisa que signifique oito, ele vai dizer "várias, vou precisar de várias estacas". O nó ainda tá na cabeça? Vou explicar o sistema de base 2 que melhora.
No sistema de base 2, a mãe vai cozinhar 2 pares de ovos, para dois pares de filhos. O homem vai precisar de vários pares de estacas pra construir a casa. Algumas traduções literais dessas línguas são "as patas da ema"(número 2), "as patas de duas emas" (número 4), "com companheiro", "sem companheiro"; por exemplo, é possível encontrar a expressão "as patas de duas emas + sem companheiro" significando 5. Em outras línguas, os termos ímpares são reduplicações de termos pares. Se o número 4 é tapisar, o número 5 é tapisar-pisar.
Isto é só uma pequena amostra do que pode acontecer com línguas que não têm raizes indo-européias, ou seja, que fogem ao círculo línguas-latinas/anglo-saxonicas/eslavas. So maneiras absolutamente diferentes de se ver o mundo, e absolutamente plausíveis, e aceitáveis, não tem nada de esquisito nisso.~
Eu acho fantástico!
Pra quem se interessar, tirei essas informacões de Os diferentes termos numéricos das línguas indígenas do Brasil, por Diana Green, in "Idéias Matemáticas de Povos Culturalmente Distintos" (org. Mariana Kawall Leal Ferreira), 2002.
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Fibonacci e língua estrangeira
Nossa querida leitora Tati manda a seguinte pergunta:
Também não tenho grande conhecimento de ensino de língua estrangeira, mas isso me soa algum método de mnemônica ou de programação neurolinguistica, mas o meu conhecimento dessas áreas é tão superficial que tenho até vergonha de citar essas possibilidades.
Tem perguntas sobre outros temas? Pergunta à linguista!
"Vocês conhecem algum artigo que fale sobre modelos matemáticos para o aprendizado de língua estrangeira por adultos?
Porque o método que eu usava pra aprender mandarim usava um esquema assim: ele ensinava algo no primeiro dia, daí no segundo dia revisava, um pouquinho mais pra frente revisava de novo, daí quando eu estava prestes a esquecer o que tinha aprendido lá pra frente ele voltava e revisava e assim ia.
Eu acho que os dias podem ser modelados numa sequência de Fibonacci (0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34,...) só não consegui achar na internet nenhuma referência. Sabem indicar um caminho, alguém que estude o assunto?".
Porque o método que eu usava pra aprender mandarim usava um esquema assim: ele ensinava algo no primeiro dia, daí no segundo dia revisava, um pouquinho mais pra frente revisava de novo, daí quando eu estava prestes a esquecer o que tinha aprendido lá pra frente ele voltava e revisava e assim ia.
Eu acho que os dias podem ser modelados numa sequência de Fibonacci (0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34,...) só não consegui achar na internet nenhuma referência. Sabem indicar um caminho, alguém que estude o assunto?".
A linguista aqui vai (tentar) responder.
Olha, nunca ouvi falar dessa sequencia de Fibonacci (e com razão, sou linguista), mas olhei pra ela e achei diferente, não é sequencia de numeros primos, nem de progressao geometrica, nao consegui pensar mais nada. Minto, pensei sim. O proximo numero é a soma dos dois anteriores, é isso?
Tem perguntas sobre outros temas? Pergunta à linguista!
domingo, 8 de maio de 2011
Ever e um pouco sobre tradução
Durante as minhas aulas de inglês, os alunos perguntavam como traduzir 'ever'. Como o método era sem tradução, eu nunca dava a resposta e mandava eles olharem no dicionário em casa, o que ninguém fazia, óbvio. Mas, realmente, traduzir 'ever' é bem complicado. Em alguns momentos, pode ser nunca, pode ser já, pode ser 'na minha vida', pode ser... São tantas as possibilidades...
Há uma frase que diz "traduttore, tradittore", ao pé da letra, "tradutor, traidor", ou seja, "o tradutor é um traidor. Porque traduzir uma língua é uma ciência absolutamente inexata; as línguas não são 100% conversíveis umas nas outras. Há palavras de uma língua que precisam de uma sentença inteira pra serem explicadas (tenho dó de quem faz a legenda dos filmes nessas horas, porque tem que caber em tão poucos caracteres...). E o contrário também se aplica, que é conseguir resumir numa só palavra todo um sentido, como 'ever' ou seus filhos, whatever, whoever, wherever...
Mas mesmo dentro da própria língua, as coisas também não são assim, 100%. Pense em careca e calvo. Parecem iguais, certo? Mas vá testando, colocando em sentenças, mudando os contextos, pra ver que não funciona 100%. E se pegar "bald" fica mais complicado ainda.
É por isso que eu acho que a profissão de professor de idiomas nunca vai acabar; é por isso que eu acho que haverá tradutores automáticos, mas nunca vão substituir o conhecimento humano sobre a língua. Põe o dedo aqui quem nunca usou aquele "translate" do google, quando caiu numa página em francês! É claro que ajuda, dá pra entender o sentido geral do site, mas não dá pra levar 100% a sério, precisa de alguém que saiba a língua pra dizer certinho o que cada linha quer dizer.
Imagina se num futuro exista tradutores automáticos de livros. Você baixa o livro do amazon.com no seu Kindle e bota pra traduzir na sua língua. Não acho que vai ser uma leitura muito boa, muito prazerosa. Haverão palavras perdidas no meio do texto ainda na língua original; haverão frases esquisitas, com gramática invertida, com sentidos bizarros, haverão pontuações inadequadas. Claro que vai dar pra ler, mas nada como sentar e ler um bom livro traduzido pra sua língua por um bom tradutor, que gastou neurônios tentando traduzir essa mala desse 'ever'.
Há uma frase que diz "traduttore, tradittore", ao pé da letra, "tradutor, traidor", ou seja, "o tradutor é um traidor. Porque traduzir uma língua é uma ciência absolutamente inexata; as línguas não são 100% conversíveis umas nas outras. Há palavras de uma língua que precisam de uma sentença inteira pra serem explicadas (tenho dó de quem faz a legenda dos filmes nessas horas, porque tem que caber em tão poucos caracteres...). E o contrário também se aplica, que é conseguir resumir numa só palavra todo um sentido, como 'ever' ou seus filhos, whatever, whoever, wherever...
Mas mesmo dentro da própria língua, as coisas também não são assim, 100%. Pense em careca e calvo. Parecem iguais, certo? Mas vá testando, colocando em sentenças, mudando os contextos, pra ver que não funciona 100%. E se pegar "bald" fica mais complicado ainda.
É por isso que eu acho que a profissão de professor de idiomas nunca vai acabar; é por isso que eu acho que haverá tradutores automáticos, mas nunca vão substituir o conhecimento humano sobre a língua. Põe o dedo aqui quem nunca usou aquele "translate" do google, quando caiu numa página em francês! É claro que ajuda, dá pra entender o sentido geral do site, mas não dá pra levar 100% a sério, precisa de alguém que saiba a língua pra dizer certinho o que cada linha quer dizer.
Imagina se num futuro exista tradutores automáticos de livros. Você baixa o livro do amazon.com no seu Kindle e bota pra traduzir na sua língua. Não acho que vai ser uma leitura muito boa, muito prazerosa. Haverão palavras perdidas no meio do texto ainda na língua original; haverão frases esquisitas, com gramática invertida, com sentidos bizarros, haverão pontuações inadequadas. Claro que vai dar pra ler, mas nada como sentar e ler um bom livro traduzido pra sua língua por um bom tradutor, que gastou neurônios tentando traduzir essa mala desse 'ever'.
segunda-feira, 7 de março de 2011
érres e éles (Rs e Ls)
A palavra do dia é "pérola". POrque os chineses dizem pélola, e os japoneses dizem pérora? Porque nas duas línguas, r = l, então, tanto faz. Não entendeu? Vamos lá.
Existe o alfabético fonético internacional (IPA), que contém TODOS os fonemas de TODAS as línguas, organizados por suas propriedades articulatórias. Veja uma tabela do IPA aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/File:IPA_chart_2005_png.svg. São todos os sons para compor línguas, mas cada língua tem a sua seleção de fonemas (por exemplo, inglês tem aquele som th, que não tem em português ea gente pena pra aprender).
Vamos para o r e o l. Estão na primeira tabela, na coluna nomeada "alveolar"; o r tá mais no meio (é um trill) e o l tá bem embaixo (é uma lateral). Neste caso, estou considerando o r em "arara". Mas, os dois são alveolares, a posição da língua é a mesma, a diferença é por onde o ar passa (no r, sai pela frente, no l, pelo lado da língua). No português, esses sons são distintivos: "ara"(do verbo arar) e "ala" (do hospital, do desfile da escola de samba, do aeroporto...). duas palavras diferentes em português.
Só que em chinês e em japonês, o recorte de fonemas é diferente do português. O chinês só seleciona o l, e o japonês, só o r. Logo, quando o ouvido chinês ouve um 'r', o cérebro dele não reconhece como fonema, e acaba associando aquele som a um fonema que existe no chinês; logo, pélola. Quando o ouvido japonês ouve l, o cérebro reconhece como r. Daí, pélola.
Essa é uma das razões do sotaque. O seu ouvido foi sendo treinado, ao longo dos anos, para recortar os fonemas certos pra sua língua. Quando você inventa de aprender outra, precisa reeducar o ouvido. É possível, mas tem limite. Por exemplo, quando você aprende inglês. Tem gente que aprende logo de cara que "think" não é fink, sink, ou tink. Mas tem gente que vai falar tink pelo resto da vida. Incompetência, falta de esforço? Não. Pro nosso ouvido brasileiro, th não existe, então o cérebro vai acabar aproximando que algo que existe"f, s, t, d. O alemão, engraçado, por outro lado, o alemão diz "zink". O ouvido alemão ouve th como z. Poisé. ou, poizé? hehe.
Ainda a questão da leitura
A questão da leitura é toda uma outra área. Eu não estudei muito sobre leitura e aquisição de escrita e leitura, então vou dar um palpite bem amplo.
Quando você lê a palavra "oi", pode até pronunciar mentalmente os dois fonemas, o o, depois o i, pra depois entender o que oi significa. Mas, quando você vê o "o", você nÃo pensa que precisa arredondar os lábios e colocar a língua em determinada posição. Essa parte é automática. Da mesma maneira, você só vai pensar que está buscando uma palavra no seu léxico mental se der pau. Exemplo: você conhece a palavra "entrava", certo? Mas olha essa frase: "o navio espanhol entrava... o navio brasileiro no porto de Santos". Hahá, deu pau! Enquanto você lia "entrava", automaticamente voce pensou no verbo entrar, porque é mais comum, recorrente. Mas entrar pede preposição em, e a dita-cuja não aparece, vem logo o artigo "o". O que o seu cérebro faz? Busca outro significado pra entrava, e encontra o verbo entravar, conjugado no presente. Legal, ne? Enquando você lia tudo isso, não ficou pensando se tava pronunciando todos os fonemas.
Talvez o mesmo aconteca com o chinês. Ele provavelmente nÃo fica pensando no significado do kanji (não chama kanji em japonês, né?), talvez acesse, de cara, o significado mais comum daquele kanji e sua pronúncia. Se der pau na leitura, talvez ele recorra a outra pronúnci,a outro significado... ou até um dicionário, hehe!
Mas esse é um mistério da mente humana: como é que a gente pensa? Existem muitos estudos a respeito disso, em psicolingusitica experimental. Será que a gente pensa em palavras? em sons? Em imagens? em mentalês, a língua da mente? Mas isso é assunto pra outro post...
Línguas de Sinais, no plural
Parece que línguas de sinais sempre fazem sucesso. Então deixa eu comentar algumas coisas.
Surdos sempre se comunicaram por gestos, mas só em meados do séc XIX é que o surdo foi reconhecido como gente (até ent!ao, era como se fosse um cachorrinho na casa, ficava pros cantos, comia o que dava, ninguém dava bola...). Foi nessa época que, na França, um pesquisador resolveu aprender a língua que duas irmãs surdas usavam em casa, montou uma escola para surdos, divulgou essa língua. Hoje, essa língua é a língua de sinais francesa. Já no começo do século XX, um brasileiro que esteve na França trouxe essa língua, e junto aos surdos brasileiros, "padronizaram" o que existia por aqui, e passou a ser a língua de sinais brasileira. O mesmo fenômeno aconteceu nos EUA. Ou seja, as línguas de sinais francesa, brasileira e americana são aparentadas. Não são artificiais, embora houvesse um esforço para padronizar aquilo que as comunidades já vinham usando. Historicamente, não sei como se formaram línguas de sinais de outros países, mas muitos países têm línguas de sinais oficiais, e alguns tem até mais que uma. Mas como não houve colonozação de surdos (como houve a colonização da Africa ou da America), não tem país que use língua de sinais de outro país, mas podem haver outras relações de parentesco entre outros países.
Dito isso, vale dizer que não existe uma língua de sinais internacional, como hoje é o ingl^s, e outrora, foi o francês. Mas os surdos conseguem se comunicar "internacionalment", por assim dizer. Quando você aprende língua de sinais, você aprende a dominar o espaço de uma maneira diferente; em outras palavras, você acaba melhorando a sua capacidade em fazer mímica! Então, surdos de países diferentes conseguem se comunicar. Brasileiros e franceses, por exemplo, conseguem manter um certo diálogo, nada muito filosófico. Já entre língua de sinais brasileira e japonesa a distância é bem maior, então a comunicação é mais restrita, limitada, recaindo mais sobre a mímica do que as línguas em si. No fundo, não se tem tanta necessidade de uma língua internacional. Por enquanto.
Todo mundo faz essa pergunta: mas língua de sinais não é universal? Os surdos costumam responder dizendo: "se você todos falam, porque não falam todos a mesma língua?". Justo.
Sim, uma pessoa pode saber duas línguas de sinais, basta se expor a ela. Eu me lembro de ter conhecido um sujeito em um congresso que falava português, inglês, e línguas de sinais brasileira e americana (ele não era surdo, mas era intérprete). Dá sim.
Dá pra ser fluente em língua de sinais quando se é ouvinte (não surdo)? Sim. Principalmente se você for filho de surdo. Como seus pais vão falar com você em língua de sinais desde que você nascer, você vai aprender LSB como língua materna. E depois de "velho", d'á pra aprender? olha, dá, dá pra ser fluente, mas não dá pra parecer nativo. Sempre vai estar na cara que você não é surdo, ou pelo menos não teve LSB como l'íngua materna. (PS: estou preparando um post falando de língua materna zero, aguardem!)
domingo, 6 de março de 2011
E surdo escreve?
Essa é uma questão muito complicada. Os surdos, que vivem em comunidades surdas, usam a língua de sinais pra se comunicar. Essa língua não é baseada no português, embora empreste palavras dessa última. Além da língua de sinais, muitos surdos acabam "oralizados": sao treinados para ler lábios e produzir palavras em português, mas costuma ser bem rudimentar, ruim de entender, sem contar que a sintaxe passa longe do português, é mais parecido com a ordem de sinalização da língua de sinais, mas não é bem isso. É deficiente, mas serve pra se comunicar.
E surdos vão pra escola, e aprendem português como segunda língua. Fica tão bom como se você quisesse aprender russo por conta própria, sem uma fitinha cassete pra te dizer como pronunciar as letras russas. Tá, você até consegue aprender russo, produzir uns textos, tentar falar mas... não vai ser exatamente russo. É mais ou menos assim que o surdo aprende português.
Com esse português capenga, o surdo precisa ir pra escola, conversar com o dentista, ler jornal e tudo mais. fica difícil né? Os surdos escrevem em português, mas eu já vi redação de surdo pra vestibular. Dá pra entender, mas... não dá pra competir, né? Existiu uma época aí uma tentativa de propor que a redação do surdo fosse corrigida como redação de estrangeiro, mas acho que não pegou. bom, um etrangeiro em terras próprias, mas estrangeiro.
E surdo tem celular? Sim! E como!! Santas mensagens!! Eles gastam muitos reais mandando mensagem, marcando encontro, fazendo tudo pelas mensagens do celular. Claro, usando o português como dá, mas escrevem. E são salvos por essas mensagens, com certeza!
Mas uma amiga minha, professora de uma universidade da Bahia resolveu ir além: inventar uma escrita para surdos. Não é uma questão de inventar a escrita, mas sugerir uma maneira de traduzir a riqueza de uma língua em 4 dimensões para uma folha da papel, para que os surdos possam guardar suas memórias e sua cultura, estudar e produzir sem recorrer a língua estrangeira (português).
Antes de entrar em detalhes, deixa eu explicar uma coisa. Existem alguns sistemas de escrita, dentre eles:
- alfabético: todo mundo conhece o alfabético: cada itens representa um som e assim formam-se sílabas, e depois palavras, como em português, inglês...
- silábico: a menor unidade é a sílaba, como o japonês. Em português, primeiro você aprende a, e, i, o ,u, depois, b, aí faz b + a= bá e assim por diante. Em japonês, a menor unidade é a própria sílaba bá, então você aprende o bá, depois o bê, depois o bi e assim por diante.
- logográfico: é a que usa ideogramas, como o chinês. cada caracter simboliza uma palavra inteira, um conceito inteiro. neste caso, demora muito mais pra aprender, porque você tem que aprender cada ideograma, decorar como se fala (porque o ideograma em si não diz como ele é pronunciado), decorar o significado, as variantes, sei lá. Eu acho um sistema lindo, mas inventar um sistema de pelo menos 5 mil caracteres pra uma língua de sinais é uma tarefa de gerações.
O último sistema é o trácico, que é usado pelo coreano: cada caracter é divido em 3 ou 4 partes, e cada parte indica um traço do som, e só dá pra falar aquele som quando você combina os 3 traços.
É esse último sistema que essa minha amiga propôs: levar para o papel caracteres compostos de pequenas informacoes (desenháveis à mão, claro, etambém a máquina) que indiquem em que posição a mão deve ficar para realizar determinado sinal, qual o movimento, e coisas nesse nível. Muito mais simples que escrita logográfica. Não me lembro agora mas o número de "desenhinhos" que compõem esse sistema, para escrever os caracteres gira em torno de 300. Bom, dá pra aprender 300, né? Claro, é mais que umas 30 letras de sistemas alfabéticos, mas bem menos que 5 mil.
Pois bem, o sistema é genial! Não sei quantas cabeças andaram envolvidas nesse projeto, mas foi desenvolvido bastante rapidamente, muito competentemente. À primeira vista, parece impossível de ler. mas depois que você aprende como o caracter funciona, é mágico!
Eu ja tinha visto sistemas de escritas de língua de sinais, como o Sign Writing (http://pt.wikipedia.org/wiki/SignWriting), que é bem legal, mas rudimentar. Olhar para o SignWriting é como olhar para uma foto estilizada de uma pessoa sinalizando. Não dá pra saber exatamente como aquele fotografia evolui em termos de sinal. No SignWriting, você precisa CONHECER o sinal pra conseguir realmente sinalizar o que tá grafado, mas nesse sistema da minha amiga, chamado SEL (infelizmente, não achei nada na internet, acho que eles ainda não publicaram muita coisa), a idéia é que o surdo consiga sinalizar mesmo que ele não conheça o sinal. Por exemplo, se eu escrevo que esse sistema é adami pra caramba, você, leu leitor, consegue ler a palavra "adami", embora não saiba o que ela significa (se você não sabe, o problema não é do sistema de escrita, é seu, entende?).
Claro, ainda há muito o que se fazer, existem particularidades das línguas de sinais que precisam ser pensados, esse sistema precisa "cair na boca (ou nas mãos?) do povo" surdo, precisa ser aceito, oficializado... Mas essa não é a questão. Se a humanidade levou séculos pra desenvolver a escrita, os surdos terão mais sorte em ter um sistema simples, aprendível e escrevível em muito menos tempo!! E, claro, vai demorar um pouco mais pra esse sistema poder ser escrito com um mísero teclado de 12 posições de um celular, mas até lá, vai de português capenga mesmo...
quarta-feira, 2 de março de 2011
Hindi e pronomes de tratamento
A pergunta de hoje é sobre hindi. Primeiramente, hindi tem inúmeros pronomes de tratamento, o que parece tornar a tarefa de aprender hindi impossível. Não é bem assim. Primeiramente, é preciso lembrar que cada língua tem uma carga de coisas que parecem naturais para os nativos e absurdas para estrangeiros. Por exemplo, gêneros em português. Para nós, é simples e óbvio que cada substantivo tenha um gênero, feminino ou masculino, e raramente a gente erra (as pessoas erram com palavras como açúcar e alface, e algumas outras palavras como planeta mudaram de gênero - sim, se dizia "a planeta" e agora se diz "o planeta"; mas, no geral, os nativos não erram gênero). Quando um falante de espanhol vai aprender português, ele diz: legal, ess língua também tem gênero, mas algumas palavras diferem da minha língua, como sorriso, árvore, nariz ou sangue. Legal, dá pra aprender. Quando você pega um falante de alemão, ele vai encontrar muitos opostos entre alemão e portugues, mas vai achar engraçado que não exista gênero neutro em português. Aliás, o neutro do alemão não significa "sem sexo", "assexuado" , ou "genérico". Por exemplo, livro em alemão é neutro, e bolsa é feminino, mas ambos são objetos inanimados, e nem por isso bolsa é neutro.
Agora, se um falante de inglês vai aprender português, ele pode achar um completo absurdo existir gênero! Primeiramente, ele não vê motivo nenhum em dizer o gênero no artigo; segundo, porque diabos mesa é feminino? Por um acaso ela usa saia, batom? Mas gênero não é sexo, veja bem. Portanto, para um falante de inglês falar português, a tarefa vai ser mais complexa do que pro alemão ou pro espanhol aprender portugues.
Dito isso, dá pra aprender português? Dá. Mas vai aparecer o sotaque, vai aparecer, na gramárica, na frase, alguma coisa que aponte que o sujeito é estrangeiro. Eu trabalhei com um rapaz holandês que falava português muito bem, mas às vezes ele errava nos gêneros e nas preposições. (aliás, preosição é outra coisa bem difícil..). PS: holandês é bem parecido com alemão.
Outro exemplo são as preposições: português tem 17, mas tem línguas que têm mais preposições, menos , ou nenhuma. Quando não tem preposição, muitas línguas acabam optando por outras maneiras de se apresentar essas relacaoes mantidas pelas preposicoes como, por exemplo, usando casos. O latim te 6 casos, o alemao tem 4, e tem uma língua escandinava (não me lembro qual) que tem 14 casos. pra efeito de comparação, português não tem caso nenhum.
A beleza de se aprender outra língua é aceitar que existem maneiras diferentes de se expressar a mesma coisa. Quando você entende que pode ser diferente do que você sabe, o aprendizado fica mais fácil.
Mas, voltando ao hindi. e os pronomes de tratamento? Bomm, tem que arranjar um jeito de aprender. Provavelmente, memorizando. Provavelmente , o estrangeiro vai cometer erro. provavelmente, os erros vão ser mais complicados do que errar artigo; quando você erra artigo, fica engraçado (o cadeira, a carro, os criancas); quando você erra pronome de tratamento, você pode acabar chamando o chefe de meu chapa. Pega mal, mas dá pra aprender. Demora, mas dá pra aprender.
TEm que se ter em mente que quando você aprende segunda língua, nunca vai ser tão boa quanto língua materna. E que nenhuma língua materna é difícil!! O cérebro humano é preparado para receber qualquer língua, basta estar exposto a ela. uma vez exposto, a criança aprende a língua sem dificuldade. O fato de certas crianças falarem com um ano e meio, e outras demorarem 3 anos pra falar coisas simples como "o cachorro comeu" não tem nada a ver com a língua materna. Criancas falam cedo/tarde em português, em alemão, japonês ou hindi!! Em termos de aquisição, o que conta é a exposição, o estímulo, e até o interesse da criança por falar (o meu filho não tem muito interesse em falar nao....)
um outro exemplo: japonês tem 7 maneiras de se dizer "eu". Claro, tem os básicos, tipo watashi, e uns muitos específicos, como o "eu" que só o imperador pode usar. Difícil aprender isso? não pra ciranca japonesa. Talvez um pouco mais difícil pro Roberto Kovalik, brasileiro, correspondente da Globo no Japão.
Agora, quando você traduz pra outra língua, complica. Vou dar o exemplo besta de sempre. Saudade, em português, é um substantivo. Em inglês, além de ser verbo, significa tsambém errar um alvo, perder um evento (um ônibus, uma festa, uma aula). Dizem que não dá pra traduzir saudade pra outras línguas, mas não ébem isso. dá pra traduzir sim, mas não tem um substantivo que traduza, é preciso usar outra coisa, um verbo, ou mesmo mais palavras. O mesmo com o hindi: quando você pega aquela lista de pronomes de tratamento, e traduz pro inglês, talvez tudo vire "you". Mas, ao pé da letra, talvez você enxergue coisas como "o senhor meu superior", "o senhor mais velho que eu" , "o senhor mais experiente nessa matéria", "a senhra que tem filhos", "a senhora que é casada mas nao tem filhos". Sim, inventei todos esses casos, mas tou só mostrando como é possível pensar em diferentes maneiras de se direcionar à outras pessoas sem ser usando "you". e E lembrando que português também tem pronomes de tratamento: "você" (que originou-se em vossa mercê), "o senhor/a", vossa senhoria, e todos aqueles pronomes que a gente aprende na escola meritíssimo, e outros assim, que servem pra falar com o juiz, o presidente, o papa. Acho que a diferença entre hindi e português é que a gente é pouco exposto aos casos em que se usa pronomes de tratamento diferenciados (você pode ter algumas oportunidades de falar com um juiz, mas com o presidente e o papa....), e talvez a gama de pronomes de tratamento do hindi contemplem diferenças mais comuns, como hierarquia, gênero, estado civil, e, portanto, sejam mais visíveis.
bom, depois desse longo post, eu até tenho outras idéias de coisas pra falar que caberiam aqui, mas falarei como uma equencia pra este post. Em breve. Aguardem!
sábado, 26 de fevereiro de 2011
argentinos e brasileiros
Eu acho essa legal: porque os argentinos não me entendem? E porque eu os entendo? bom, é tudo uma questão de vogais...
O sistema vocálico espanhol tem 5 vogais. Pronto, por isso, você, falante de portguês, entende o espanhol. Mas o sistema vocálico do português tem um pouco mais que essas vogais. Tem as óbvias (a, e, i , o, u), as nem-tão-óvias-assim (é, ó), e as nasais. Vogais nasais? Hein? Sim, vogais nasais. Hoje em dia, as vogais nasais são grafadas com um n que a segue, como em saíram, recebem, jardim, bombom, bumbum. Mas já foram grafadas com til, assim como irmã. São vogais distintivas no português (embora seja bem difícil encontrar pares mínimos* contendo essas vogais), totalizando um total de 12 vogais, contra só 5 do espanhol. Ou seja, você entende espanhol porque o sistema vocálico deles é um subgrupo do sistema vocálico nosso. pelo outro lado, o falante de espanhol se perde com tantas vogais (na verdade, pro ouvido hispano-falante, /e/, /é/ e /em/ soam tudo meio parecido.
Claro, as diferenças entre as línguas não se reduzem a isso, existem diferenças em todos os níveis (fonética, gramática, semântica e....). Mas essa primeira barreira fonética é forte o suficiente pra desanimar qualquer conversa...
* pares mínimos: pares de palavras que têm sentidos diferentes por causa de um único fonema, ou seja, um único som (não necessariamente uma letra): cão, chão, pão, não, tão. Eu particularmente gosto das palavras mais compridas, como cachorra e pachorra...
E tem próximo, que emvolvem a troca de mais um som, como "integrar" e "entregar". Mas, em algumas situações, são suficientes...
retroflexos e nasais
Uma leitora assídua pergunta se existe relação entre r retroflexo (esse r do interior de SP) e um som nasal mais alongado. Ela encontrou esses fenômenos em alguns sotaques do interior de SP e em chinês (mandarin, creio eu). Pois bem. Pensei, pensei, pensei e... não encontrei explicação nenhuma! Em termo de fonologia, não me vem nenhuma hipótese de ligação entre uma e outra. Uma outra explicação seria mais socio-linguistica, mas também não vejo relações sociais entre Piracicaba e Xangai (eu sei que não é essa a cidade....). Essa eu vou ficar devendo. Não sei. Mesmo. Pena.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Crianças Bilíngues?
Criança bilíngue é uma criança que fala duas línguas. Na maioria dos casos, são filhos de pais com nacionalidades diferentes. A criança bilíngue trata as duas línguas como línguas maternas, então, na sua cabecinha, não existe "em ingles eu digo "blue", mas em português eu digo "azul". Na cabeça dela, a coisa é bem mais amorfa, com a mãe ela fala "blue" e com o pai, "azul". Às vezes acontece de a criança associar a língua da mãe às mulheres, e a do pai, aos homens, como aconteceu com uma criança filha de mãe brasileira e pai francês.
Mas há alguns fatos sobre crianças bilíngues. Primeiro, elas tem muito mais chance de demorar pra falar. São vários motivos: o cérebro tem o dobro do trabalho pra processar duas línguas (ou três, já vi acontecer); ela realmente pode confundir as línguas, mas normalmente acontece no nível léxico (palavras), mas nao no nível sintático (gramática). Se os pais não forem consistentes, a criança vai se confundir (se é a mãe quem ensina o espanhol, ela só deve falar em espanhol), Outra coisa que pode acontecer é a criança escolher uma língua pra falar, por qualquer motivo que seja; uma mãe pode ficar frustrada porque a criança prefere falar a língua do pai. A criança pode, por um motivo obscuro, preferir uma língua à outra, ou mesmo se negar a usar uma das duas línguas.
Há ainda outras questões. Imaginemos uma outra situação comum para bilinguismo: os pais brasileiros vão para os EUA a trabalho, e o filho pequeno fala portugues em casa, inglês fora de casa. Moram lá 5 anos. A criança vai falar as duas línguas, línguas maternas. Só que, ao voltar pro Brasil, se essa criança não praticar a língua, vai enferrujar. Claro, se um dia ela voltar a estudar, vai resgatar tudo, diferente do resto da turma que vai ter que aprender tudo, mas sem prática, não sobra língua nenhuma.
Será que bilinguismo atrapalha o desenvolvimento? Eu nunca estudei muito disso, mas eu acho que não. Vai atrapalhar os pais porque vai demorar um pouco mais pra falar, e pode fazer frases engraçadas, usar errado no começo, mas eu acho que não atrapalha não. Um fato é que as crianças não sentem falta por não falar. Como eles nunca falaram, se não falarem nunca, não tem problema! (muito diferente de um adulto que tem um AVC e fica afásico - e normalmente, perde a fala e o processamento de fala - e fica nervoso porque não pode mais falar). Minha mãe tem um vizinho com 16 anos e desenvolvimento mental de 2 (ele tem uma deficiência mental que ninguém sabe o que é). Ele se comporta como uma criança de dois anos: sobe, bate, pula, grunhe, grita, chora... Mas, pra ele, não é ruim. a mãe é que não aguenta mais!!
Mas, voltemos ao biliguismo: eu acho que, no fundo, pode ajudar. Precisava dar uma pesquisada nisso, mas uma criança bilíngue provavelmente vai aprender mais facilmente uma terceira língua, porque "pensar diferente" já faz parte da vida dela. Por exemplo, se uma criança fala portugues e espanhol, ela vai falar "eu gosto de banana" e "me gustam plátanos" pra dizer a mema coisa em línguas diferentes, mas pensando de maneira diferente em cada língua.
Agora, uma coisa um pouco ruim é o falso bilinguismo: aquele pai que poe o filho de 6 anos na aula de ingles duas vezes por semana pra serr bilingue. Não vai ser. Vai fazer como o menino do parquinho outro dia. Perguntei que cor era o brinquedo e ele disse "blue". Hm, não era bem isso. Eu nao perguntei em ingles! Ou, quando o filho é mais velho, o pai põe na escola americana pra falar ingles. So que o pai não se dá conta que, na escola americana, o calendário e as matérias são americanas. Consequentemente, as ferias vão ser deslocadas, e com o conteúdo programático americano, fica um pouco difícil passar em algum vestibular mais concorrido no Brasil. Mas isso é papo pra outro post.
Também fico devendo um post falando dos estágios de aquisição da língua.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Plurais
Tudo começou com a espuma do sabão, daí falávamos de Química, de mols e... qual o plural de mols? Segundo o professor, era "moles", mas ninguém falava "moles", e sim "mols". Mas, se é "sóis", "anzóis" e "faróis, porque é "mols"e não "móis"? E "gol"? Em portugal, plural de "gol" é "golos". E no Brasil, "gols". Mas é /gôl/ versus /mól/. Problema colocado, sem resposta, por enquanto. Alguém se habilita?
Por outro lado, o nome da letra E é /ê/ ou /é/? Se formos considerar as estatísticas, parece que deveria ser /ê/, porque se é /é/, em geral leva acento. Por exemplo: escola, menina, elefante, estrela versus café. Bom, achei uma que tem som de /é/ e não tem acento: vela (também bela, novela, panela, velha). Droga, enquanto escrevia este post, achei palavras que contradizem a minha teoria de que o nome da letra E deveria ser /é/.
e a série do O? O nome da letra deveria ser /ô/ ou /ó/? Vejamos: bolo, orifício, buraco, sofá (som de /ô/, sem acento agudo); por outro lado, órfão, órgão, catastrófico (som de /ó/, com acento agudo). Mas, de novo, encontrei palavras que me desmentem: moto, coiote (som de /ó/, mas sem acento agudo).
É. Parece que vou precisar de ajuda pra resolver esses dilemas...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Começando...
Uma amiga, engenheira, curiosa, inteligente, me pediu um blog para falar de lingusitica. Pois, aqui está. Perguntas são benvindas, postarei assim que minhas crianças deixarem...
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