sábado, 21 de maio de 2011

Escrita cursiva

Outra pergunta pegadinha, né, Tati? Letra cursiva: existe uma ordem para os traços?
Em kanji (japonês e chinês) há uma ordem dos traços a serem escritos, bem como a direção do traço: se ele deve ser escrito de cima pra baixo, um aluno que escreva de baixo pra cima faz errado, e tem que refazer. Olha, eu só conheço alfabeto das línguas orientais, e dá pra dizer que existe mais flexibilidade quanto à ordem dos traços. Existe sim um padrão de se fazer o a, por exemplo, começando com o c, e depois fechando. Mas conheço gente que faz o a ao contrario: primeiro faz um i e depois fecha com um c ao contrário. Fica diferente, mas dá pra ler, e não tá de todo errado, embora a minha professora de primeira série pegava no meu pé porque eu não fechava o a completamente, ficava um  milímetro. Aliás, fica até hoje.

Lembrei também que a minha irmã faz (ou fazia) a orelha do r cursivo do outro lado; na escola a gente aprende que é no canto esquerdo, mas a minha irmã faz/fazia n odireito.

Tem uma questão mais lógica também: primeiro você "desenha" o t e depois corta, até porque ia ser esquisito tacar o corte lá e depois acertar o desenho do t bem no meio do corte, né? O mesmo com o i, não ia ter motivo pingar sem ter desenhado o i. Vai que o pingo fica, digamos assim, fora de prumo?

Mas também já reparei que a letra cursiva é diferente de país pra país. Por exemplo, bato o olho num trecho escrito e digo: alfabetização americana. Engraçado, parece que todo americano tem uma letra parecidona, parece que eles escrevem com letras de forma minúsculas. Pode ser uma coisa cultural, uma crença de que "tem que ficar tudo bem separadinho pra ser entendido". Já no Brasil, se é uma questão de crença, a crença é "tem que ficar tudo juntinho e ligadinho de mão dada" por qualquer motivo besta. Aí, a criança lá na primeira 'serie, escreve m-a-t-e-m-a-t-i-c-a sem tirar o lápis do papel e... esquece de voltar cortando os ts e acentuando... Sem contar que a letra vai ficando esquisita até o fim da palavra, porque a palavra é comprida e fica difícil mover a mão sem desencostar o lápis.

Mas não acho que essa questão de caligrafia nacional seja algo consciente. Não acho que alguém parou um dia na vida pra dizer "no nosso país, o t se corta da direita para esquerda, e tenho dito!". Eu acho que essas coisas acontecem de maneira fluida, fazem parte do inconsciente coletivo (oi?).

Talvez a coisa seja mais rígida em outros alfabetos, pois além dos alfabetos japonês e chinês, temos o sirílico (russo) que tem algumas questoes de ordem sim, o árabe (que para a minha alegria, escreve da direita para a esquerda!), o hebraico (nunca vi tanta letra parecida! a alef - que é a primeira - tem umas 5 sósias no resto do alfabeto, impressionante!), e tem o coreano, que é louco demais.

Louco, porque foi inventado por uma pessoa, tipo, no século passado! O alfabeto é silábico (como o katakaná), e é como se cada item fosse um quadradinho dividido em 4 partes, e cada parte é preenchida com algo específico - diga-se se passagem que são basicamente risquinhos e bolinhas. Bolinhas, não pinguinhos. Mas eu nÃo sei dizr se a bolinha tem de ser feita no sentido horário ou no anti-horário. Taí uma rigidez que eu quero saber.

Isso me lembra que no meu pré ensinavam que o zero começa em cima e termina em cima também (e também o 8). Diziam também que quem começava o número por baixo era bobo (oi). Mas, repara, todo mundo começa por cima: 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Rá.

PS: desculpem o post-divagação. É o resfriado.
Tem perguntas sobre outros temas? Pergunta à linguista!

Um comentário:

  1. Em russo tem a forma certa de escrever. Ou melhor, tnha, hoje não tem mais regra. Durante o socialismo todos tinham que escrever da mesma forma e não podia ter canhotos. Todos os canhotos eram "corrigidos". Tenho sugestão de post: pronúncias diferentes. Sugiro isso porque me aventurei a dar aulas e no meio disso surgiram contratempos. Tive que quase gritar. Eu já falo meio baixo e a classe era multo barulhenta (não era escolinha não, era aula em universidade - talvez um outro assunto para um outro blog porque com certeza o problema nesse caso nao era linguístico). Dai gritar em uma lingua estrangeira me deu micronódulos e uma fenda nas cordas vocais. Depois de 1 ano de tratamento com fono aprendi a usar a voz corretamente. Parece até aqueles negócios de revista: "Doutor, tenho não sei o que de cor laranja, é normal?" Mas não é. A discussão filosófica em cima disso é: até quando a nossa língua natal define a gente. Em algumas profissões isso é mais claro. Tipo, cantor(a) em um país estrangeiro, apesar de existirem exercícios específicos para cada tipo de problema, mas eis a questão: a forma natal de falar virou problema. Tem paises onde a fala é mais alta naturalmente (tipo na China). Tem países onde falar alto é considerado um insulto. E essas línguas estranhas então onfde o que está escrito não é o que se lê. Não estou me referindo apenas ao francês, em russo quando uma palavra termina em o e essa não é a tônica, ela é pronunciada como a. Por isso Fernando vira Fernanda na pronúncia. Edmundo vira Edmunda, Francisco é Francisac. E de cara já percebemos que ter a no fim não significa feminino.

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