O sistema vocálico espanhol tem 5 vogais. Pronto, por isso, você, falante de portguês, entende o espanhol. Mas o sistema vocálico do português tem um pouco mais que essas vogais. Tem as óbvias (a, e, i , o, u), as nem-tão-óvias-assim (é, ó), e as nasais. Vogais nasais? Hein? Sim, vogais nasais. Hoje em dia, as vogais nasais são grafadas com um n que a segue, como em saíram, recebem, jardim, bombom, bumbum. Mas já foram grafadas com til, assim como irmã. São vogais distintivas no português (embora seja bem difícil encontrar pares mínimos* contendo essas vogais), totalizando um total de 12 vogais, contra só 5 do espanhol. Ou seja, você entende espanhol porque o sistema vocálico deles é um subgrupo do sistema vocálico nosso. pelo outro lado, o falante de espanhol se perde com tantas vogais (na verdade, pro ouvido hispano-falante, /e/, /é/ e /em/ soam tudo meio parecido.
Claro, as diferenças entre as línguas não se reduzem a isso, existem diferenças em todos os níveis (fonética, gramática, semântica e....). Mas essa primeira barreira fonética é forte o suficiente pra desanimar qualquer conversa...
* pares mínimos: pares de palavras que têm sentidos diferentes por causa de um único fonema, ou seja, um único som (não necessariamente uma letra): cão, chão, pão, não, tão. Eu particularmente gosto das palavras mais compridas, como cachorra e pachorra...
E tem próximo, que emvolvem a troca de mais um som, como "integrar" e "entregar". Mas, em algumas situações, são suficientes...
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