segunda-feira, 7 de março de 2011

Línguas de Sinais, no plural

Parece que línguas de sinais sempre fazem sucesso. Então deixa eu comentar algumas coisas.

Surdos sempre se comunicaram por gestos, mas só em meados do séc XIX é que o surdo foi reconhecido como gente (até ent!ao, era como se fosse um cachorrinho na casa, ficava pros cantos, comia o que dava, ninguém dava bola...). Foi nessa época que, na França, um pesquisador resolveu aprender a língua que duas irmãs surdas usavam em casa, montou uma escola para surdos, divulgou essa língua. Hoje, essa língua é a língua de sinais francesa. Já no começo do século XX, um brasileiro que esteve na França trouxe essa língua, e junto aos surdos brasileiros, "padronizaram" o que existia por aqui, e passou a ser a língua de sinais brasileira. O mesmo fenômeno aconteceu nos EUA. Ou seja, as línguas de sinais francesa, brasileira e americana são aparentadas. Não são artificiais, embora houvesse um esforço para padronizar aquilo que as comunidades já vinham usando. Historicamente, não sei como se formaram línguas de sinais de outros países, mas muitos países têm línguas de sinais oficiais, e alguns tem até mais que uma. Mas como não houve colonozação de surdos (como houve a colonização da Africa ou da America), não tem país que use língua de sinais de outro país, mas podem haver outras relações de parentesco entre outros países.

Dito isso, vale dizer que não existe uma língua de sinais internacional, como hoje é o ingl^s, e outrora, foi o francês. Mas os surdos conseguem se comunicar "internacionalment", por assim dizer. Quando você aprende língua de sinais, você aprende a dominar o espaço de uma maneira diferente; em outras palavras, você acaba melhorando a sua capacidade em fazer mímica! Então, surdos de países diferentes conseguem se comunicar. Brasileiros e franceses, por exemplo, conseguem manter um certo diálogo, nada muito filosófico. Já entre língua de sinais brasileira e japonesa a distância é bem maior, então a comunicação é mais restrita, limitada, recaindo mais sobre a mímica do que as línguas em si. No fundo, não se tem tanta necessidade de uma língua internacional. Por enquanto.

Todo mundo faz essa pergunta: mas língua de sinais não é universal? Os surdos costumam responder dizendo: "se você todos falam, porque não falam todos a mesma língua?". Justo.

Sim, uma pessoa pode saber duas línguas de sinais, basta se expor a ela. Eu me lembro de ter conhecido um sujeito em um congresso que falava português, inglês, e línguas de sinais brasileira e americana (ele não era surdo, mas era intérprete). Dá sim.

Dá pra ser fluente em língua de sinais quando se é ouvinte (não surdo)? Sim. Principalmente se você for filho de surdo. Como seus pais vão falar com você em língua de sinais desde que você nascer, você vai aprender LSB como língua materna. E depois de "velho", d'á pra aprender? olha, dá, dá pra ser fluente, mas não dá pra parecer nativo. Sempre vai estar na cara que você não é surdo, ou pelo menos não teve LSB como l'íngua materna. (PS: estou preparando um post falando de língua materna zero, aguardem!)

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